…arrependei-vos e crede no Evangelho (Mc 1,15)

A Páscoa ou Domingo da Ressurreição é a mais importante , e também, a mais antiga celebração litúrgica do Cristianismo. Igrejas cristãs como a Ortodoxa, a Luterana, a Anglicana, e algumas denominações Presbiterianas e Reformadas também celebram o Tempo da Páscoa.
O Ciclo Pascal compreende três tempos distintos: preparação, celebração e prolongamento.
Os quarenta dias da Quaresma, ( que começa na Quarta Feira de Cinzas e vai até o início da celebração da Ceia do Senhor, na Quinta Feira Santa) assinalam o tempo litúrgico de preparação para a festa máxima do Cristianismo.
Na Bíblia, o número 40 carrega um simbolismo especial. Tanto no Antigo como no Novo Testamento, o número quarenta nos remete a momentos da experiência de fé da comunidade judaica e cristã, como tempo de preparação, reflexão e penitência… Somente para ilustrar:
Para receber as Tábuas da Lei, Moisés permanece quarenta dias e quarenta noites em jejum, no monte Sinai (Ex, 24, 18). A difícil peregrinação do povo judeu para a Terra Prometida, durou quarenta anos (Nm14,33).
Jesus, antes de iniciar sua vida pública, retirou-se no deserto, onde jejuou por quarenta dias (Lc 4,1-2). Durante quarenta dias, antes de subir aos céus, Jesus ressuscitado instruiu seus discípulos para a missão de levar o Evangelho até os confins da terra.
O Papa Bento XVI , notável teólogo do século XX, assim definiu o significado litúrgico do tempo quaresmal: ” Trata-se de um número que exprime o tempo da expectativa, da purificação, do regresso ao Senhor e da consciência de que Deus é fiel às suas promessas.”
Com alguns ajustes, a Quaresma dos nossos dias é o seguimento desse tempo litúrgico da Igreja, vivido ao longo dos séculos. No Concílio Vaticano II a Igreja reforçou o caráter espiritual da Quaresma ,enfatizando esse tempo penitencial, não como um cumprimento de regras, mas como um chamado pessoal à conversão e a abertura para a graça de Deus, e o encontro com o Cristo Ressuscitado. Nesse período, a Igreja nos convoca ao sacramento de confissão, como preparação para a Páscoa.
Os três pilares da Quaresma são: Oração, Jejum, Esmola. Eles são caminho seguro para uma conversão sincera e profunda.
ORAÇÃO. A oração é o alimento de nossa vida espiritual, quando falamos com Deus , procurando ouvir sua voz. Através da oração diária entramos numa comunhão íntima com o Senhor e encontramos força para seguir seus ensinamentos, e levá-los para o nosso cotidiano.
Na Quaresma, somos convidados a intensificar nossos momentos de oração, nossa frequência à Sagrada Eucaristia, a reza do terço, da Via Sacra, a Meditação da Palavra, a visita ao Santíssimo…
JEJUM.. Na orientação cristã, o jejum não pode ser um fim em si mesmo.O ato de jejuar cristão deve carregar um significado muito mais relevante: renúncia e disciplina espiritual. Antes de iniciar sua ação missionária, Jesus, no deserto, jejuou por quarenta dias, deixando-nos um grande ensinamento: a disciplina do corpo fortalece a alma na luta contra as tentações.
O jejum quaresmal , muito mais que privação alimentar, ( e de tudo que nos diminui como ser humano) , deve nos ajudar a renunciar a nós mesmos e dar espaço interior ao Deus que nos habita.
ESMOLA. A esmola é uma das feições da Caridade – nosso bem maior e eterno… com ela, as portas do céu nos serão abertas.
Numa entrevista, foi perguntado a um famoso influenciador digital , qual a maior felicidade sua fortuna lhe dava… e a resposta veio, para a perplexidade do entrevistador: ” É poder repartir. Não adianta ser o mais rico, se meu vizinho é o mais pobre.” Uma resposta carregada de sentido.
A esmola personificada no dinheiro repartido, na atenção e cuidado para com os necessitados, na mão estendida ao caído, o perdão, a paciência, o prato de comida dado ao faminto e tantas outras atitudes respeitosas, são gestos do nosso amor ao próximo, que tanto agradam a Deus. Jesus nos ensina que tudo o que fazemos ao menor dos nossos irmãos, é a Ele que fazemos ( Mt, 25, 40).
A quaresma, através dos anos que passam, continua e continuará sendo um tempo forte do chamado à conversão , do exercício ao amor a Deus encontrado vivo na figura do irmão, do olhar para dentro de nós mesmosc e analisar nossas faltas e potencialidades… corrigindo as faltas e repartindo nossos talentos. Ela será a grande preparação para celebrarmos a festa da Ressurreição de Cristo, com o coração arrependido e renovado.
Maria Célia Ferreira de Laurentys

